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Sombras, imagens, cores e odores no outro mundo de Dante e de Virgílio.

Uma nova leitura interessante de Virgílio e Dante pode se iniciar com o encontro narrativo deles no começo da viagem de Dante, na primeira parte da Divina Comédia: o Inferno. Este é o primeiro acontecimento que o leitor encontra no poema dantesco. Trata-se de pensar uma nova acepção interpretativa das duas obras, e também uma interpretação crítica através dos aspectos sensoriais, exprimidos com os versos e as palavras escolhidos. Tentaremos analisar a perspectiva dantesca e aquela virgiliana do “outro mundo”. Com certeza, a hipótese sugestiva proposta é analisar as visões dantesca e virgiliana do reino dos mortos, estudando as diferenças e oferecendo uma leitura das percepções sensoriais nos acontecimentos que Dante enfrenta no Inferno. Mas também é interessante examinar a experiência da descida ao Hades de Enéas, o herói contado por Virgílio no poema Eneida. A comparação das percepções de Dante com aqueles do personagem Enéas cria a ampliação do discurso. Neste confronto, o que nos interessa é cotejar os dois poetas, para propor uma leitura comparada que combine diferentes níveis narrativos, filosóficos e mitológicos. As sensações dos dois personagens que descem no Hadeslembram o caráter do ser humano e a sua curiosidade de explorar o desconhecido. O risco da descoberta pode ocultaras surpresas terríveis para ambos. A escuridão revela uma série de sensações humanas diferentes: emoções, defeitos e virtudes narrados, reproduzindo o mundo desconhecido, cobertoda cor preta da escuridão. Dante entra no Inferno com o seu corpo e há a consciência da sua condição de ser humano, mas ele sabe que o seu desejo de conhecimento é arriscado porque no seu corpo,há o peso e a forma humana. Trata-se do desejo de ultrapassar seus próprios limites?

Tipo de Publicação: Revista
Ano Publicação: 2016
Autor: Sandra Dugo
ISSN: 2236-4064
Link: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaitalianouerj/article/view/36009