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Mulheres, fêmeas, matronas e senhoras famosas: designando pessoas do sexo feminino em traduções contemporâneas do De mulieribus claris de Giovanni Boccaccio
O De mulieribus claris e? um compe?ndio de biografias de mulheres famosas escrito em latim por Giovanni Boccaccio no se?culo XIV. Nessa obra, o autor usa quatro termos para designar a pessoa adulta do sexo feminino: mulier, femina, matrona e domina (em suas declinac?o?es e variac?o?es). Enquanto o primeiro par designa “mulher” de modo gene?rico, o segundo se refere a pape?is sociais especi?ficos. No latim medieval, mulier e femina eram praticamente sino?nimos, assim como os correspondentes donna e femmina do italiano da mesma e?poca, li?ngua na qual Boccaccio tambe?m escrevia prolificamente. Nos idiomas das traduc?o?es contempora?neas do compe?ndio existem termos correspondentes a mulier e femina, mas normalmente o sentido do segundo e? mais derrogato?rio que femina no latim ou femmina no italiano medievais. Para entender como as traduc?o?es lidaram com esse desafio de transposic?a?o intertemporal e intercultural, a autora deste artigo fez uma ana?lise quantitativa da ocorre?ncia dos quatro designativos no texto de Boccaccio e nas traduc?o?es. Foram examinadas as verso?es em italiano de Vittorio Zaccaria (1970), em ingle?s de Virginia Brown (2001) e em espanhol de Violeta Di?az-Corralejo (2010). O me?todo de ana?lise foi baseado em um estudo de mesmo escopo sobre o Delle donne famose, a traduc?a?o italiana medieval de Donato Albanzani (Baggio 2021). Esse estudo observou as relac?o?es quantitativas e os modos de uso dos termos adotados pelo tradutor para verter os designativos latinos. No artigo de agora, as quantidades resultantes do levantamento dos termos nas cinco obras em foco (Boccaccio, Albanzani, Zaccaria, Brown, Di?az-Corralejo) sa?o postas em relac?a?o no a?mbito de cada obra e entre as obras. Os resultados mostram a quantidade de designativos, a proporc?a?o de cada termo no total de designativos e a proporc?a?o dos termos correspondentes a mulier e femina, e esses tre?s aspectos sa?o articulados para proposic?a?o de uma taxonomia das traduc?o?es. Essa abordagem e? complementada por breves ana?lises qualitativas de passagens em que os termos foram utilizados, visando oferecer uma amostra (na?o representativa) dos efeitos de sentido produzidos pelas escolhas de cada tradutor. O artigo se apoia teoricamente no trabalho de Giuliano Bonfante (1958) sobre a diacronia donna x femmina na li?ngua italiana e a reflexa?o final dialoga com Francisco Jose? Rodri?guez-Mesa (2025) a respeito da acessibilidade lingui?stica e cultural das traduc?o?es contempora?neas do De mulieribus claris.
Tipo de Publicação: Revista
Ano Publicação: 2026
Autor: Adriana Tulio Baggio
ISSN: 1886-5542
Link: https://doi.org/10.1344/transfer.v21i2.50283


















