Propostas aceitas - XIX Congresso ABPI (outubro 2021)

TÍTULO DO SIMPÓSIO:

#italianoparatod@s: políticas, práticas e perspectivas do italiano no Brasil

PROPONENTES:

Cristiane Maria Campelo Lopes Landulfo de Sousa (UFBA) - cristianelandulfo@gmail.com

Daniela Aparecida Vieira (Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Perus I - São Paulo-SP) - daniela.apvieira@yahoo.com.br

PROPOSTAS ACEITAS (comunicações orais / pôster)

ITALIANO PER TUTTI – ITALYEN POU TOUT MOUN – ITALIANO PARA TODOS: A APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS COMO DIREITO DE TODAS AS PESSOAS

Daniela Aparecida Vieira (doutora USP/CIEJA)

O objetivo desta comunicação consiste em apresentar as oficinas de italiano do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Perus I, instituição educacional pública do município de São Paulo, como uma tentativa de garantir o acesso ao italiano língua adicional como direito. Essas oficinas, que se iniciaram em abril de 2019, são atividades extracurriculares oferecidas aos estudantes do CIEJA e à comunidade externa. Nessa instituição, atendemos 1300 (mil e trezentos) discentes, dos quais cerca de 700 (setecentos) são haitianos, isto é, migrantes negros e oriundos de um país empobrecido. Como se sabe, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino cujo público-alvo são jovens, adultos e idosos que, por vivermos em um país marcado por uma forte desigualdade social, não puderam iniciar ou concluir seus estudos na suposta “idade certa”. Tais pessoas são as que Galeano (1989) denomina “os ninguéns” e que Freire (1974) chama de “os oprimidos”. Trata-se, portanto, de pessoas que só conseguem ter acesso ao italiano e a outras línguas adicionais se esse acesso for oferecido de forma pública e gratuita. Nesse sentido, as oficinas de “Italiano per tutti”, quando ministradas presencialmente, podem ser consideradas uma medida de justiça social (FREIRE, 1974), visto que possibilitam a participação de todas as pessoas. Recentemente, demos início às oficinas de italiano de forma remota, mas já sabíamos que muitos de nossos educandos não têm os recursos materiais necessários para participar de atividades a distância. Por isso, infelizmente, pudemos confirmar que, em modalidade online, essas oficinas (e quaisquer outras atividades) não garantem a todos o direito à aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: Educação de Jovens e Adultos, Italiano como língua adicional, Escola pública, Ensino-aprendizagem de línguas como direito

REFERÊNCIAS:

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.

GALEANO, E. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1989.